quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Resenha crítica do texto ‘Competências e habilidades’

O texto de Tânia Maria Rezende Machado parte do princípio de que os conceitos de competência e habilidade devem ser manejados visando o compromisso com a prática e ainda visa analisá-los e discuti-los tendo a prática pedagógica como referencial, de modo que essas práticas ganhem novos significados e novos rumos a serem percorridos.
Não podemos esquecer do fato de que só compreendemos a realidade em que vivemos se a observarmos e a analisarmos de forma crítica e reflexiva e que só podemos mudá-la se de fato assumirmos um compromisso com nós mesmos, antes de assumirmos com a sociedade. Isto ocorre na realidade escolar e em nossas práticas pedagógicas. “Nossas crenças, nossos valores e nossas produções são forjados pelas necessidades. Portanto, próprias de um contexto que as configuram”. Isto implica dizer que devemos partir de uma investigação rigorosa de nossa própria experiência cotidiana para compreendemos as necessidades existentes no campo pedagógico.
A verdade está em que pouco há de diferença entre competências e habilidades e algumas escolas muitas vezes não estão preocupadas em desenvolver no aluno estas características e ficam alheias aos seus conceitos e as suas finalidades, consequentemente perdem o foco no tocante às estratégias que precisam traçar para alcançar esses objetivos. Uma escola que não prima pelo desenvolvimento de competências básicas não pode contribuir na formação de um ser humano crítico, consciente e politizado.
A escola deve ter em mente que a sociedade não é mais a mesma, que o mundo dito globalizado transformou as necessidades da humanidade e que as características exigidas para um profissional, para um cidadão do mundo vão além de saber ler e escrever. Exigi-se que o cidadão contemporâneo saiba lidar com as inquietações de seu tempo, que tenha o mínimo de conhecimento sobre as novas mídias e tecnologias e que, além disso, saiba lidar com as crises globais de modo racional e reflexivo. É papel da escola, não apenas da família trabalhar de modo a desenvolver no indivíduo em formação atitudes reflexivas e uma postura ética, para que a sociedade não precise puni-los depois.
Vale ressaltar que as práticas pedagógicas do passado não surtem mais efeito e que hoje os professores são chamados a pensar na construção dessas habilidades e competências. “Mudar o foco para o desenvolvimento de competências e habilidades, implica, além de mudança na postura da escola, um trabalho pedagógico integrado em que se definam as responsabilidades de cada professor nessa tarefa”.



Referência bibliográfica:
Organização curricular: objetivos ou competências e habilidades? Procurando a diferença entre “seis e meia dúzia”
MACHADO, Tânia Mara Rezende – PUC-SP.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Memorial descritivo sobre Projeto de extensão. Tema: 'As várias faces da arte'. (Mostra de vídeoarte e exposição de fotonovelas.)

O que fazer quando o tempo é escasso, as idéias não fluem e tudo parece conspirar contra? Unir-se é a resposta. Foi o que aconteceu durante a 1ª mostra de vídeoarte da turma de Artes Visuais, na execução do Projeto de Extensão proposto por esta disciplina.
Um projeto de extensão é uma ação de caráter educativo, social, cultural ou tecnológico que visa transmitir/compartilhar idéias, pensamentos, conhecimentos com a comunidade. Condicionado as ramificações da arte favorece a interação e a experiência de ter suas concepções e percepções impactadas por novas propostas e novas discussões quanto à forma de fazer e pensar a arte.
O Projeto de Extensão 'Várias faces da arte', promovido pela turma de Artes Visuais teve como objetivo principal mostrar para o público presente que a arte pode ser representada de várias maneiras, das mais convencionais até as mais irreverentes e que principalmente podemos utilizar a tecnologia como suporte e a partir disso pode-se permitir dar asas a imaginação.
O público alvo (a classe estudantil de Sena Madureira) pode observar por uma noite cheia de contratempos que a arte, assim como a beleza (ou a feiúra) está nos olhos de quem ver. As desconstruções daquilo que a sociedade julga belo, sacro, infame/profano, nojento, comum, bizarro, foram apresentadas para incitar reflexões. A princípio as idéias/imagens podem parecer sem nexo, supérfluas ou gratuitas, mas o fato é que até as imagens que parecem ter sido filmadas a toa, estão impregnadas de concepções muito próprias, pertinentes e embasadas.
As fotonovelas produzidas durante a unidade também foram expostas, mas o atrativo da noite foi mesmo a mostra de videoarte, talvez pelo impacto que causa ver cenas e imagens tão conhecidas por todos serem "profanadas" ou transfiguradas de alguma forma. De repente há um choque, uma sensação de identificação e estranhamento ao mesmo tempo. Sensações e sentimentos confusos podiam ser identificados em nossos espectadores, que certamente foram impactados de alguma forma com o que viram e ouviram nesta noite, podendo assim ter contato com outras formas e percepções de arte, diferente da que estão acostumados.
E a arte é isto, é impacto, é surpresa, é desconstrução, é um olhar diferente sobre o senso comum. E se o que a arte pretende é causar estranhamento, pelo menos por esta noite ela alcançou seu objetivo.

sábado, 18 de setembro de 2010

Memorial descritivo sobre Vídeo Arte


Entende-se por Vídeo Arte uma forma de expressão artística que utiliza a tecnologia do vídeo como suporte. O vídeo aliado a outras linguagens artísticas age de modo a transformar a noção de tempo e espaço que temos, mudando a nossa percepção, o modo como estamos acostumados a ver as coisas, dando-lhes uma nova significação.
Nam June Paik, morto em 2006, considerado o pai da videoarte, disse certa vez que "a arte é pura fraude. Você só precisa fazer algo que ninguém tenha feito antes". No que discordo em termos. Partindo do princípio de que cada ser humano tem a sua concepção do 'ser' e 'fazer' arte, logo, sempre que alguém repetir um experimento estará colocando ali percepções muito próprias e pessoais. A óptica é afetada tanto por quem produziu o experimento, a obra, a imagem, o vídeo, tanto por quem se permitir contemplá-lo. A experiência será sempre nova, pois as concepções serão sempre afetadas através do fazer artístico.
Neste contexto, realizar o videoarte proposto por esta disciplina se configurou em mais que um desafio, foi uma busca por respostas, uma mudança de foco dentro daquilo que nos propomos a fazer. A princípio saímos em busca do que seria feio e do que seria belo em nosso contexto sociocultural. Munidas de uma lista de possíveis lugares a serem filmados, de repente nos demos conta de que poderia haver muita beleza na feiúra e que aquilo não seria necessariamente bonito aos olhos da sociedade, mas que continha um valor artístico muito grande e que deveria ser explorado, assim como também existem muitas paisagens e coisas bonitas que de repente se tornam feias por não terem um sentido estético ou um propósito definido, como no caso da réplica do Cristo Redentor exibida no vídeo, que não passou de um capricho de um mau administrador público, por exemplo, mas que a sociedade considera bela pelo simples fato de ser uma cópia malfadada de um monumento histórico.
Foram estes questionamentos e posicionamentos que nos levaram a escolher este tema. O contraste entre a beleza e a feiúra existe. Ás vezes se fundem, se confundem. O fato é que saímos com uma nova percepção sobre beleza e feiúra e que a visão que tínhamos sobre nossa realidade nunca mais será a mesma.

Projeto Vídeo Arte: O belo em contraste com o feio na realidade da sociedade local

video

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Arte Postal que recebi (Arte protesto)


A Arte Postal surgiu como alternativa aos meios de exposições convencionais. Seu objetivo maior era focar a arte como ferramenta de protesto, denúncia e utilizá-la para veicular livremente todo tipo de informação que certamente sofreria censura por parte das autoridades e até mesmo da sociedade se exposta de forma pública convencional. Muito praticada nos anos 60, a Arte Postal utiliza os correios como suporte e pode incluir desde pinturas, desenhos, ilustrações, fotografias, gravuras, montagens, textos, colagens e todas as formas de intervenções e composições que alguém julgar pertinente e significativo para si e para os outros.
Neste espírito, seguindo a proposta da disciplina recebi da colega Valnira Andrade uma arte postal muito expressiva, confeccionada com materiais alternativos como uma erva chamada tereré e barro vermelho, além de cola e pigmentos coloridos, onde ela faz um protesto contra o desmatamento, um problema ambiental que gera inúmeros conflitos de ordem social, econômico e político. Ela se sensibilizou com um grave problema da realidade local e o utilizou como inspiração para a composição de seu trabalho.

Arte postal que confeccionei e enviei (Vitrais)


Inspirada no Estilo Gótico e na beleza dos vitrais do contexto renascentista do século XXI fiz o que chamarei de imitação desta arte que tanto admiro. Os vitrais consistiam em facilitar a passagem de luz nas catedrais da era medieval e era produzido pelos artesãos da época que colavam os vidros um a um formando gigantescos desenhos com motivos religiosos ou abstratos.
Para confecção de minha arte postal, posteriormente enviada para a colega Maria Socorro, utilizei papel cartão preto (base 30x30), papel celofane amarelo e vermelho para dar impressão de espelhos e cola isopor. Fui riscando no papel o que minha imaginação me permitiu, resultando num desenho que considero abstrato.
Na era em que vivemos em que a velocidade e o dinamismo são o foco em todas as áreas, este tipo de arte a princípio pode não parecer muito atraente se compararmos a todos os outros recursos tecnológicos dos quais dispomos em nosso dia-a-dia, mas a experiência acabou sendo muito divertida e nos permitiu ter uma nova percepção do que pode vir a ser arte.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Entra nesse link aqui >>>http://www.youtube.com/user/Akys2010?feature=mhsn e acompanhe meus experimentos videograficos (loucuraaas) pelo meu canal no Youtube!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Analisando a TV – Resenha crítica da novela Malhação


A TV ocupa grande parte do cotidiano e da sociabilidade dos brasileiros, sobretudo dos jovens, que desperdiçam bastante tempo, ociosos frente ao aparelho. Apesar deste relacionamento constante com a TV e de ser um público bastante vulnerável aos apelos da mídia não há exatamente muitos programas voltados para esta faixa etária. Dos que existem, a maioria presta um grande desserviço à sociedade, pois não estão necessariamente interessados em apresentar um conteúdo de cunho critico ou político para a juventude, ao contrário, quanto menos informados e alienados melhor.
Dentro deste contexto existem programas como a novela Malhação, um dos produtos televisivos mais consumidos pelos jovens brasileiros e que de alguma maneira é uma ação representativa da realidade. Em geral, esta representação midiática costuma distorcer os valores que foram assimilados no convívio familiar, pois atribui valor a outros objetos, atitudes comportamentais esnobes, arrogantes e extremamente consumistas, dando um outro sentido ao conceito de aceitabilidade social, independência, status e personalidade, ostentando modismos e ideologias fúteis.
É sabido que o potencial das influências na etapa da adolescência pode repercutir veementemente na idade adulta, mas não podemos prever até que ponto essas representações visuais podem contribuir ou afetar a formação de um cidadão.
O fascínio exercido pelos signos e imagens exibidas pela mídia são responsáveis pelo desejo de consumo assumido pelos jovens. Em geral os conteúdos são elitistas e separatistas, pois embora atinja o público jovem de muitas classes sociais, o foco gira em torno da classe média alta, que é quem detém maior poder econômico, responsável pela relação cíclica de consumo com seus objetos.
Com tantos problemas de ordem econômica e social não precisamos de mais uma política elitista no Brasil. Se pudesse reescrevê-la, no mínimo contemplaria mais a diversidade social e a pluralidade cultural e étnica existentes no Brasil, de modo que as críticas e reflexões fossem de fato instauradas e não mascaradas atrás de pseudos problemas existenciais juvenis.

domingo, 5 de setembro de 2010

Resenha crítica do filme O Show de Truman do diretor Peter Weir


A história de Truman basicamente retrata a condição decadente do ser humano frente ao poder e influência da mídia na sua vida. É uma clara alusão ao status de mercadoria que assumimos quando aceitamos passivamente tudo o que é imposto pela mídia, sem questionarmos o que de fato está por trás desse seu jogo de interesse.
Poder, fama, sucesso, dinheiro, status, regalias, ostentações. Na verdade todos fazemos parte de um grande Sistema lucrativo. E óbvio, não somos nós quem ficamos com a melhor parte. Somos importantes neste jogo de interesse porque somos nós que alimentamos esta indústria com a nossa ignorância e o nosso conformismo. Consumismos facilmente qualquer produto televisivo porque no fundo estamos insatisfeitos com o roteiro da nossa própria vida. Mas não é por acaso. A mídia faz seus produtos parecerem tão perfeitos que muitos não se contentam com a própria realidade e passam a sustentar mais e mais essa máquina dominadora, iludidos por sua falsa ideologia.
O modelo social imposto pela mídia, tal qual percebemos no filme, não visa formar cidadãos autônomos, livres para fazer suas próprias escolhas. Estimula-se sempre atitudes irreflexivas frente ao que são induzidos a consumir e ao modo como são induzidos a se comportar. O personagem Truman é a personificação deste comportamento irreflexivo, acrítico e passivo que exercemos frente ao controle excessivo da mídia. É o retrato da alienação que ocorre quando viramos vítimas das armadilhas provocadas por esta sociedade capitalista e de seu mundo idealizado.
O momento em que Truman finalmente toma consciência de sua posição de ostracismo e resolve se libertar dessa condição de subordinação é justamente a posição que o homem deveria assumir, libertando-se da manipulação e da dependência deste Sistema industrializado. Uma vez que o homem abrir os olhos para a realidade e deixar de ignorá-la, esta relação de dependência será nula e ele finalmente será dono de suas próprias decisões.

domingo, 22 de agosto de 2010

Artesanato/Cazumbá Iracema


Estes artesanatos são produzidos pelos moradores da Reserva Extrativista Cazumbá Iracema, aqui do município de Sena Madureira. Bacana né?

sábado, 21 de agosto de 2010

Artista local


Estes dias estou estagiando na Escola Estadual de Ensino Médio Dom Júlio Mattiole (para cumprir uma carga horária de 20 horas/aulas, exigido pela disciplina Estágio Supervisionado 1) e me deparei com uma imagem na parede da escola que me chamou bastante atenção. A obra é do artista local Claudeney. Não o conheço pessoalmente, mas gostei da imagem e como tudo o que é bom deve ser divulgado. Fica aqui o registro!

Reflexões sobre mídia


Não podemos negar o poder de persuasão das mídias, principalmente as televisivas. Todos os dias somos bombardeados por uma série de informações que se cruzam e também se contradizem. Acreditamos que estamos sendo informados, avisados, mas na grande maioria das vezes estamos mesmo sendo alienados, lesados e enganados por uma versão maquiada dos fatos. O que acontece é que ninguém quer ir contra os próprios interesses, mas se vêem obrigados a dar uma “satisfação” para o público quando o assunto é de interesse nacional, por exemplo. Daí moldam a noticia de modo que nem deixam de dar a informação, nem prejudicam os interesses pessoais, se escondendo atrás da máscara da imparcialidade, que na verdade não passa de omissão dos fatos.
Devemos desenvolver uma leitura critica dos conteúdos apresentados pela mídia porque uma boa porcentagem de tudo o que lemos, vemos e ouvimos é tendencioso, ou seja, tem sempre algum propósito ou alguma intenção “secreta” de prejudicar alguém. Já tivemos demonstrações suficientes de quanto poder a mídia tem de construir e destruir uma pessoa, um ídolo ou mesmo um presidente da república. A mídia corrompe as pessoas, porque se você não quer parecer o vilãozinho da história, tem que ceder às vontades da mesma. E os que cedem, não passam de marionetes nas mãos de crianças. Por isso devemos ser críticos, questionadores e estar atentos a tudo que vemos na TV, na revista, no jornal escrito, no rádio, em fim, em todas as formas de mídia, cruzar estas informações, procurar ver o outro lado de tudo e não apenas aceitar o que nos é transmitido como verdade absoluta. O questionamento e o pensamento critico é que devem ser o nosso alicerce.

Resenha crítica do filme ‘O quarto poder’ do diretor Costa Gravas e do documentário ‘Muito Além do Cidadão Kane’, do diretor Simon Hartog.


Não sabemos onde termina a realidade e onde começa a ficção. Atualmente a vida das pessoas está tão exposta através da mídia que fica difícil discernir o que é real e o que é imitação dessa realidade. Vivemos dias em que a ética e os valores morais viraram mercadorias. Muito pouco há de verdade no que é veiculado pela mídia e o apelo é grande e agressivo.
A mídia, considerada o quarto poder, muitas vezes perde a linha do bom senso explorando e manipulando informações, de acordo com seus próprios interesses. Formadora de opiniões, não mede esforços para controlar o comportamento das pessoas. Tenta comover através do sensacionalismo e de um falso altruísmo que apenas serve para chamar atenção para si mesma. Neste contexto somos vítimas e ao mesmo tempo culpados pela excentricidade da mídia, porque no fundo ela é a representação de nosso próprio egocentrismo. Tudo o que é veiculado e promovido por ela apela para nossos sentidos, numa tentativa de lucrar com a nossa alienação. Esta apelação é fruto de nosso próprio comportamento, pois somos nós quem alimenta e enriquece essa indústria apelativa com o nosso conformismo e nossa passividade.
Quantos ‘Sams’ e quantos ‘Max’ existem nesse meio? Quantos são explorados diariamente para que outros ganhem status, poder e riqueza? Até onde vai a ganância e até onde vai nossa submissão? Até quando permitiremos viver a mercê dessa escravidão? Vivemos tão iludidos com os sonhos que são vendidos pela mídia que não nos damos conta de que consumimos e nos comportamos exatamente como ela quer.
O que acontece é que a mídia se aproveita do efeito que tem sobre a opinião pública para propagar sua própria ideologia, jogando com nossas emoções e percepções. O efeito de tudo isso é catastrófico quando a mídia usa seu poder para manipular e distorcer informações para favorecer uma minoria. A mensagem que fica de tudo isso é que não há lugar para ética nesse meio e que todas as artimanhas são utilizadas para satisfazer o jogo de interesses dessa indústria de ilusões.

Analisando a TV


A TV brasileira atualmente exibe uma extensa programação para todo tipo de público. Disposta a agradar gregos e troianos, não mede esforços para que cada telespectador se identifique de alguma forma com seus roteiros e personagens. Dentro desta perspectiva, surgem os chamados programas para a família, onde a dona de casa pode se ver retratada na telinha, com seus filhos problemáticos em volta e o caos cotidiano passa a ser motivo de riso quando representada por atores globais. A exemplo disso temos o programa humorístico semanal A grande família. O foco do programa está nas confusões domésticas e nos conflitos familiares existentes, abordados de forma leve e irreverente.
Geralmente quando nos acomodamos frente à TV, podemos não nos dar conta, mas estes folhetins estão imbuídos de muitas mensagens subliminares e de valores que acabamos assimilando como uma extensão de nossos próprios valores.
Talvez nunca ninguém tenha questionado o fato da personagem Nenê viver para a casa, os filhos e o marido, sem nunca ter tempo para ela mesma. Estaria o programa insinuando que esta é a função da mulher na sociedade? Casar-se, procriar e anular-se? Nenê é uma mulher que vive as voltas com os problemas da casa e dos filhos e não dá um passo sem consultar o marido, que por sua vez é metódico e sua principal preocupação é o seu trabalho. Em pleno século XXI, em que os indivíduos vivem as mais inusitadas formas de estruturas familiares, ainda existe realmente um padrão a ser seguido? Aquele em que o pai prover o sustento da família e a mãe cuida da estrutura da casa não pode mais ser idealizado como padrão em nossa realidade sociocultural.
O comportamento da sociedade contemporânea teve que se moldar as condições políticas e econômicas vigentes e as pessoas querem se libertar do tradicionalismo, assumindo suas opções perante a vida. Hoje a mulher assume cada vez mais a postura de chefe de família, alguns homens cuidam da casa e outros simplesmente formaram uma família diferente daquela que a mídia insiste em padronizar.
Mascarada num machismo vergonhoso e num falso moralismo vê-se que a mídia alem de tudo é sexista e tenta impor um padrão de comportamento que ela própria considera aceitável, através de sua programação, mascarando esta realidade com muitas doses de humor.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Reflexões sobre mídia 2

A mídia de certa forma pressupõe que pode tomar conta da vida das pessoas. Não basta noticiar, há a necessidade de explorar, escandalizar, chocar, polemizar e outras formas de espetacularizações desnecessárias. Não bastasse isso, as mídias atualmente são utilizadas não necessariamente para fins educativos, artísticos ou culturais, ferindo assim o que estabelece o artigo 3 da Legislação da Radiodifusão Brasileira. Antes, o que ocorre é uma verdadeira oferta ao consumismo exagerado, propagando a idéia de que você é o que consome e precisa consumir para ser socialmente aceito. Enquanto muitos se distraem consumindo o que a mídia prega que é bom, outros se apoderam desta mesma ferramenta para difundir suas próprias ideologias, para criar verdades absolutas e incorporá-las, sem que percebamos aos nossos valores.
Acredito que um dos principais aspectos desta relação entre os meios de comunicação e a sociedade é que ela não se resume numa relação de cordialidade ou imparcialidade. Ela é pautada nas imposições do sistema capitalista e nas necessidades que somos obrigados a acreditar que temos. Outro aspecto curioso é a tendência proeminente em ditar padrões de comportamentos. Os jovens são mais facilmente influenciáveis, pois estão numa fase em que buscam ser aceitos ou se encaixar em determinado grupo social. A mídia influencia muito nestas escolhas, pois cria tendências e muitos rótulos que são massivamente copiados. Não há para onde correr. Quem não se rende é considerado fora dos padrões.

Recriando imagens televisivas


As imagens escolhidas para a composição deste trabalho são do programa humorístico ‘A grande família’, veiculado pela Rede Globo de Televisão. Escolhi estas imagens após enxergar um pouco além do que sempre me limitei a enxergar vendo o referido programa. Algumas vezes não nos damos conta do que um simples seriado de TV tenta nos induzir a fazer ou pensar. Assim, abrindo um pouco mais a mente para a dimensão que isso alcança podemos perceber o quanto valores machistas e sexistas podem ser propagados através da mídia. Usei estas imagens porque, a meu ver a muito tempo a estrutura familiar vem se modificando, ou seja, aquele padrão tradicional: homem provendo o sustento do lar e a mulher apenas cuidando da casa e dos filhos já não pode mais ser considerado como único modelo de estrutura familiar valido. Há mulheres que são chefes de família, homens que cuidam da casa e dos filhos e ainda há aqueles com opções sexuais diversas que não seguem o padrão de comportamento dito convencional. Com isso, questiono se a mídia, com doses irônicas de humor, está ou não insinuando que lugar de mulher é em casa, cuidando dos filhos e submissa às ordens do marido, a exemplo da personagem Nenê _ a típica rainha do lar.
Utilizei o programa Photoscape e Picasa 3 para modificar as imagens.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Amigas...


♪♫
"Amigo é coisa pra se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração"

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Comentário sobre a montagem da peça A gaivota de Tchecov


A peça A gaivota de Tchecov é de uma complexidade impar. Ora é sentimental, ora espiritual, ora apática, mas não por acaso, pois Tchecov compôs este trabalho com a intenção de representar o cotidiano, a trivialidade do dia-a-dia, passando por todos os estágios dos sentimentos humanos.
A princípio a peça é de uma essência extremamente naturalista. A entrada e saída dos personagens em cada cena são marcadas por uma infinidade de associações, mas devido a poucas ações desenvolvidas em cena, a peça torna-se pouco atrativa e de uma linguagem dotada de uma simbologia de difícil interpretação pelo público.
Por este e por tantos outros motivos a peça A gaivota teria todos os requisitos para se tornar um fracasso total, não fosse à interferência de Stanislavski na estrutura da mesma. Stanislavski e Tchecov divergiram bastante quanto à direção que a peça deveria tomar. Ambos partiam de pontos de vistas diferentes. Tchecov costumava mesclar monólogos e pouca coerência entre os assuntos, Stanislavski preferia incorporar mais dinâmica e maior interação e intimidade entre os personagens. Assim como investir no potencial de voz, de postura corporal, no uso adequado das palavras, dos gestos e nas ações dos personagens.
As dificuldades em se compreender a obra eram oriundas de muitos aspectos. Tchecov tinha uma mente brilhante e escrevia muito bem sobre os aspectos do espírito humano, mas talvez não tivesse a mesma veia interpretativa que possuía Stanislavski. Ao que parece, o trabalho produzido só faria sentido se Tchecov com seu método artístico-literário, de escritor e Stanislavski com seu método representativo próprio de sua especialidade artística focassem nesse tesouro espiritual que se ocultava em suas obras.
O que aconteceu foi uma mudança na estrutura da peça. Mudanças que Stanislavski considerava cruciais para a aceitação e aprovação do público.
A peça A gaivota estimula múltiplas leituras. De gênero, de concepção, percepção, etc., como também nos apresenta uma diversidade de conceitos que devem existir para que uma peça atraia os olhares e o gosto do público.
Quando um texto apresenta tanta complexidade, subsidiado por tantos conceitos diferentes, a melhor abordagem é mesmo esmiúça-lo a fundo. Não apenas ler com os olhos, mas ler com o coração, com a alma, exatamente como o fez Stanislavski que conseguiu abstrair o melhor do que Tchecov oferecia. Trabalhar em cima da significação de cada palavra, explorá-la, identificá-la, recombiná-la, em fim, interpretá-la de tantas formas quanto possíveis até que se tenha encontrado a forma perfeita.
Outra ótima estratégia para compreender textos tão complexos é partir da identificação dos símbolos que permeiam a obra. Do que fala o autor? Quais signos ele utiliza? Até que ponto isso me motiva? Como posso usar isso ao meu favor? No que ele me acrescenta? E o que posso acrescentar a ele? São questionamentos que nos ajudam a captar pequenos fragmentos contidos num texto e que vão nos ajudando a decifrar suas peculiaridades.
Todas estas estratégias utilizadas para melhor compreender o texto também servem de estímulos para o processo criativo do ator, pois à medida que interage com o texto, ele desenvolve a imaginação, a sensibilidade e vai captando a espiritualidade contida no texto e que deve ser captada pelo espectador. Neste processo criativo o ator deve desenvolver a autocrítica e estar consciente de que suas ações dentro da dramaturgia, tanto vão incitar reflexões, quanto sentimentos, para tanto o ator deve estar verdadeiramente sentindo o que está representando, pois uma boa atuação não depende apenas de compreender ou não o que se está dizendo, mas em transmitir verdade e sensibilidade.

O estado do Ensino das Artes Visuais

O objetivo do ensino de artes visuais na escola de hoje é formar indivíduos social e politicamente conscientes de seu papel e seu lugar na sociedade do século XXI. Muitos diriam que não, que a arte/educação visa despertar a criatividade, o senso de estética, a sensibilidade, a subjetividade, a liberdade e a expressividade. Mas como incumbir o ser humano de todos estes atributos sem a construção do pensamento critico que leva o homem a reflexão de seu real papel na sociedade, como agente de transformação, não apenas social, mas político, cultural e consequentemente educacional?
Mas nem sempre este foi o objetivo do ensino das artes. Houve um tempo em que a arte era utilizada como ferramenta para doutrinar os indivíduos para que estes não fossem capazes de pensar por si mesmos, antes, eram obrigados a acreditar que tudo estava voltado para Deus e que não existia outra forma de aprender, além daquela imposta com pressupostos religiosos e alienação através da fé. Esta era a função da arte na Idade Média, que até era utilizada como instrumento pedagógico, porém, com outro tipo de ideologia, que não tinha uma posição igualitária nem construtivista em relação ao conhecimento.
Vale ressaltar que a arte/educação não objetiva formar artistas, e sim, ampliar a capacidade criativa e perceptiva do aluno, bem como possibilitar que ele conheça a linguagem artística e tenha um olhar sensível para o mundo que o cerca, aprendendo a representá-lo, de modo que a organização pedagógica destas relações artísticas e estéticas seja trabalhada de forma conjunta com o aluno a ponto de ele próprio reconhecer sua importância na sociedade.
As perspectivas atuais para o ensino de artes visuais apresentam uma diversidade de caminhos a serem seguidos no tocante às praticas de atuação nos mais distintos contextos educacionais. Acontece que nem toda escola está preparada para lidar e corresponder às complexidades e as mudanças tão repentinas no contexto cultural da sociedade contemporânea.
Os problemas metodológicos do ensino de artes visuais são muitos e é pauta de discussão nas instituições de ensino da atualidade, pois questiona-se ainda muito o que se deve ou não ser trabalhado em sala de aula no ensino das artes visuais e quais as melhores estratégias para que a arte/educação não seja apenas um processo de imitação, como era na escola do passado, mas antes, que seja um processo continuo de integração entre apreensão de conhecimento e percepção critica dos fatos.
Um dos problemas consiste em que a escola até tenta aderir e se adaptar aos recursos que facilitam a inclusão diversificada nas múltiplas leituras de mundo, porém, na maioria das vezes ela não consegue acompanhar as incessantes mudanças no cenário sociocultural do mundo contemporâneo e também as mudanças nas formas de expressões artísticas, com isso, seus recursos tornam-se escassos e defasados, sem que a mesma consiga fazer um link entre o passado e o presente, porém sem que o futuro seja corrompido com supremacias, hegemonias ou elitismos.
O fato é que o ensino das artes tem sofrido significativas mudanças, e tanto a escola quanto o professor precisa articular sua metodologia de modo consciente, que englobe todos os sentidos humanos, incluindo a percepção, o pensamento, o movimento, a expressão e que a partir da exploração destes elementos, seja possível construir um panorama da realidade do aluno, pois é baseado em suas vivências que ele processa suas experiências estéticas.
Espera-se que o professor tanto seja capaz de articular teoria e conhecimento, quanto seja capaz de perceber claramente as características individuais do aluno envolvido no processo pedagógico. É importante também que a metodologia contemple a vivência de atividades, possibilitando experimentar materiais e suportes diversificados e que, principalmente, os conteúdos de arte estejam em harmonia com os reais interesses do aluno e da realidade escolar.
Os conteúdos a serem trabalhados em sala de aula devem obedecer a este critério. Porém, na prática, existe uma deficiência muito forte em adequar a metodologia a realidade do aluno. Talvez porque as escolas ainda mantenham seus currículos muito engessados às concepções educacionais do passado, preso a tradições e hegemonias, ou talvez porque ainda haja muita dificuldade em se lidar com a diversidade numa sala de aula e precisar adequar-se a tantas realidades e necessidades diferentes faz com que algumas instituições tenham medo de mudar e com isso, o aluno é que tem que adequar-se a sua metodologia e a um modo talvez defasado de ensinar arte, prejudicando totalmente a formaçao de um ser humano politizado, reflexivo e socialmente produtivo.
Os problemas metodológicos no ensino de artes visuais são oriundos de vários fatores. Uma metodologia adequada a cada aluno e situação é aquela que estimula a autonomia, todavia, algumas instituições e educadores ainda são resistentes a este tipo de educação que coloca o aluno como senhor de suas próprias idéias. A resistência reside em limitar o aluno a assimilar somente teorias, conceitos e valores preestabelecidos, sem que haja uma conexão direta com a realidade do aluno ou sem que este ao menos perceba que pode ser sujeito de sua própria aprendizagem.
Os problemas pedagógicos no ensino de artes visuais também devem ser considerados. Isto implica dizer que de nada adianta seguir um currículo rígido, se ele não pode ser reavaliado quando necessário, se as instituições não são flexíveis a mudanças. Deve-se ter em mente que as práticas pedagógicas constituem-se em ações conjuntas, que não são acontecimentos isolados. Desta forma, ao organizar o currículo e colocá-lo em prática, é fundamental considerar as relações sociais, pois são estas que norteiam os efeitos que se pretende causar e os objetivos que se pretende atingir.
O pouco investimento na área da arte/educação por parte do Sistema também evolui para um quadro negativo, pois se não há investimento, não há capacitação, e se não há capacitação não existem professores qualificados o suficiente para suprir a demanda de nossas escolas. E se não existem professores suficientemente qualificados, a arte/educação não pode passar de entretenimento.
É importante conhecer a fundo as tendências pedagógicas que influenciaram o ensino aprendizagem da arte ao longo do tempo, mas manter-se preso a elas é ignorar tudo o que conseguimos alcançar, depois de tanta repressão a livre expressão. Mas, infelizmente é exatamente isso o que acontece. Muitas instituições de ensino sobrevivem sob a influencia de tendências tradicionalistas.
Isto tudo é conseqüência dentre tantas outras coisas de uma má formação dos professores, pois não tiveram a preciosa oportunidade de conhecer as correntes pedagógicas e não conseguiram se perceber como sujeitos ativos na transformação da sociedade, o que acaba por se refletir em sua prática pedagógica. Uma árvore infrutífera que cresce e finca profundas raízes.
Conclui-se desta forma que, resistências a mudanças existem, sempre existiram e talvez continuem a existir, pois sempre haverá quem seja contrário ao processo evolutivo do ser humano e a livre expressão do pensamento, mas que o principal é apostar na produção de um projeto político-pedagógico que abranja claramente tanto as concepções de mundo, de sociedade, de homem, quanto da escola em sua universalidade. O que não podemos é admitir que haja um retrocesso no estado do ensino das artes visuais e que o importante é que continuemos a trabalhar para que o espírito reflexivo continue crescendo no seio da sociedade.

sábado, 5 de junho de 2010

Reflexões sobre desenho



“O significado da obra de arte não se restringe a conteúdos que conseguimos traduzir em palavras.”

Esta frase é bastante significativa para mim, pois também acredito que o desenho pode comunicar idéias tão bem quanto as próprias palavras. É inevitável que os sentimentos influenciem nossos desenhos, pois de alguma forma, o desenho é parte de nós. Desenho é um pouco da alma da gente. Como já citei em posts anteriores, "não há como separar o lado emocional do processo criativo. Uma coisa está intimamente ligada à outra". E como muitas coisas realmente não possuem explicações racionais, nada melhor que desenhar quando faltam as palavras.
Desenhar é algo tão simples e ao mesmo tempo tão complexo que diante disso duvidamos da nossa capacidade criativa. Obviamente algumas pessoas possuem dons especiais para o desenho, mas isso não significa dizer que não o possamos interpretá-lo, senti-lo ou reconhecer nele fragmentos de nossa própria realidade. É o mundo externo representado pelo nosso mundo interno.
Acredito que o ato de desenhar seja fácil, mas imagino que desenhar não é apenas pressionar um material sobre uma superfície, pois a chave que abre a porta do desenho e da arte, antes de qualquer coisa é o sentimento. Imagens não são apenas imagens. Dante Velloni afirma que desenho é o registro visual das imagens que vemos ou imaginamos. Pois bem, antes de qualquer outro movimento, tais imagens já nos despertam algum sentimento; Algumas nos intrigam, outras nos emocionam; Algumas nos despertam lembranças, outras nos entediam, mas o fato é que ninguém fica indiferente a elas.
O que isto significa na realidade é que quando desenhamos, mais do que construir imagens feias ou bonitas, estamos exteriorizando sentimentos, idéias, percepções, ambições, aflições... Toda uma gama de informações mais subjetivas do que possamos imaginar. A final, para transmitirmos nossas idéias através do desenho não precisamos ser artistas nem exímios desenhistas, importa somente que tenhamos sensibilidade o suficiente para que possamos traduzir nossa visão particular do mundo em que vivemos e que sensações este desperta em cada um de nós.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A Transdisciplinaridade


“A transdisciplinaridade está ‘entre’, ‘através’ e ‘além’ das disciplinas”. (Basarab Nicolescu, 1999).
Com base no enunciado a cima, compreendemos que transdisciplinaridade não é apenas um conjunto de informações disciplinares que se cruzam e conversam entre si. A transdisciplinaridade está além da mera integração entre as disciplinas.
Muitos confundem interdisciplinaridade com transdisciplinaridade; obviamente devemos reconhecer que uma está ligada à outra, mas ambas possuem características peculiares que as diferenciam.
A transdisciplinaridade propõe que deixemos de lado a velha visão fragmentada que temos a cerca de tudo o que supostamente conhecemos e façamos novas conexões, ampliando a visão que temos do mundo, fazendo assim novas construções e leituras mais criticas de todas as possibilidades que nos cercam.
A transdisciplinaridade não se satisfaz com os velhos conceitos já estruturados, pois ela vem com uma proposta de questionamentos a cerca destes resultados, que se baseia em uma atitude aberta a cerca de todos os componentes da natureza humana, dentre eles a espiritualidade.
Não se pode falar de transdisciplinaridade, se o componente espiritual não é considerado seriamente. O motivo disso é que esse componente é “parte” da natureza humana e como tal merece um aprofundamento maior, se queremos compreender o ser humano na sua totalidade.
Segundo o Artigo 1 da Carta da Transdisciplinaridade, “toda e qualquer tentativa de reduzir o ser humano a uma definição e de dissolvê-lo no meio de estruturas formais, sejam quais forem, é incompatível com a visão transdisciplinar”.
Consideremos ainda o que diz o Artigo 11: “Uma educação autêntica não pode privilegiar a abstração no conhecimento. Ela deve ensinar a contextualizar, concretizar e globalizar. A educação transdisciplinar revela o papel da intuição, do imaginário, da sensibilidade e do corpo na transmissão do conhecimento”.
Assim, conclui-se que a transdisciplinaridade propõe não apenas a unificação do conhecimento, mas antes e principalmente, uma visão ampla do mundo e uma revisão de nossos antigos conceitos para enfim, compreendermos que o homem e o universo são elementos indissolúveis.


Resenha critica do texto ‘Pensar é desejar’, de Rinaldo Voltoline

Freud parece ter ido na contra mão do que todos os outros teóricos da psicologia exploraram. Para começar fugiu do senso comum. Enquanto todos os outros abordaram temas como conhecimento e inteligência, Freud foi mais audacioso. Ele não desconsiderava tais elementos, mas os analisavam sob uma outra dimensão.
Para Freud, a forte resistência à psicanálise não se dava por ser esta ou aquela tese incorreta, mas sim, porque a sociedade não estava preparada para ouvir certos pressupostos com os quais não sabia como lidar. Freud costumava escandalizar com suas teorias, a exemplo disso, suas considerações sobre a existência de uma sexualidade infantil.
Ele não costumava abordar temas como a ‘compreensão’, porque este elemento já está implícito no campo do conhecimento.
Freud também chocou de maneira desafiadora uma sociedade acomodada em seus conceitos tecnológicos quando junto a outros grandes pensadores feriu o orgulho dos homens ao revelar que ninguém é grande ou importante o suficiente, a ponto de ser o centro do universo, afinal, nem nossos próprios pensamentos nos pertencem, pois há sempre uma força superior que nos impulsiona. Mesmo Freud sempre tão realista, admitiu que não se pode separar por completo o mito do pensamento humano.
O homem pode aceitar que mito e pensamento lógico convivam harmoniosamente, afinal, o mito é uma estratégia confortável de estabelecer sentido às questões existenciais, mais do que pensar criticamente a respeito delas.
Acreditamos que somos o centro do universo e colocamos os fins do prazer sempre a frente dos fins de sobrevivência, por este motivo vivemos num eterno questionamento, mais por querermos nos adiantar aos acontecimentos do que por querermos evitar conseqüências desastrosas, a não ser que tais conseqüências nos afetem diretamente.
Conclui-se assim, que fazemos uso da razão não para tentarmos compreender a realidade, o que pretendemos inexoravelmente, é dominá-la por completo, de modo que não exista mais acaso, que tudo esteja sob o nosso controle. De fato temos tudo às nossas mãos, o que não podemos, nunca de jeito nenhum, é perder o controle sobre nós mesmos, aí todo esse conhecimento e liberdade que tanto perseguimos seriam a nossa própria ruína.

Reflexões sobre como pensamos e aprendemos; o papel dos educadores e de que maneira se espera que a escola se relacione com o restante da sociedade

Definir a forma como pensamos ou aprendemos é uma tarefa das mais complexas, pois cada indivíduo possui ritmos e estilos diferentes de aprendizagem, mas no que somos unânimes é quanto a importância do outro neste processo. É através da interação e da troca efetiva de experiências que de fato construímos nossa aprendizagem.
Acredita-se que agimos no mundo de modo que ele incline-se às nossas necessidades, mas Freud revelou que nem nossos próprios pensamentos nos pertencem, pois há sempre uma força superior que nos impulsiona.
Nosso papel enquanto educador não se resume simplesmente a ensinar a ler e escrever, mas ensinar a refletir criticamente a cerca do mundo em que vivemos, do meio que nos cerca e principalmente sobre nós mesmos. Sobre nossas atitudes e potencialidades.
Enquanto arte-educadores nosso desafio maior é formar cidadãos conscientes e politizados e isto não é nenhuma demagogia, pois somos formadores de opinião e logo temos influencia direta na formação do caráter e da personalidade de nosso alunado.
Nossas estratégias devem visar o construtivismo, pois isto significa contestar contra um sistema educacional decadente que teima em continuar essa forma particular de transmissão, que consiste em ensinar o que já está pronto, em vez de fazer agir, criar e construir a partir da realidade vivida por alunos e professores, ou seja, pela sociedade. Nossas abordagens devem constituir a interação do individuo com o meio físico e social.
O aluno não deve ser tratado como mero expectador, e sim deve ser ouvido, pois é através do dialogo, da contradição e das reflexões apontados por outras consciências que novas estruturas são concebidas aflorando as singularidades. A educação baseada no dialogo restitui a possibilidade de instaurar o significado das coisas e recombinar o mundo de acordo com a condição singular e social que nos envolve.
Desta forma, espera-se que a escola se relacione com o restante da sociedade de forma conjunta, respeitando e agregando valores que ambas considerem significativos para a boa convivência destes dois eixos.
A participação da família é fundamental para o desenvolvimento da criança. E para que este desenvolvimento aconteça é necessário levar para a escola a cultura de sua comunidade e voltar esta pratica para a formação total do aluno, pois a educação é um processo coletivo e não se resume mais ao dueto professor/aluno.
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Memória Educativa...


Parece-me contraditório afirmar que somente quando ensinamos, temos a chance de aprender de verdade. Contraditório sim, mas consiste na mais perfeita realidade.
Para se compreender a afirmação a cima, faz-se necessário viajar de volta ao passado, percorrer um longo caminho de lutas, conquistas e descobertas; Retroceder em vinte anos passados e refazer o caminho que me trouxe aqui.

Meados de 1987. Entre cinco e seis anos de idade tive o meu primeiro contato com o mundo lúdico do Ensino Infantil. Infelizmente hoje inexistente, outrora foi o ambiente acolhedor onde me despertou o gosto pela leitura, e iniciou-me no “caminho das artes”. Quando cito caminho das artes, refiro-me a características e sensações compatíveis ao universo infantil, como trabalhos manuais, pinturas, reciclagens, colagens e tudo aquilo que é pertinente ao desenvolvimento infantil, já despertando uma certa consciência ecológica e um gosto característico por tudo aquilo que exercita a criatividade, em todas as suas possibilidades.
Recordo-me daquele tempo _ porque não dizer “mágico”, e daquele lugar que adorava, com todos aqueles lances enormes de escada para correr e enlouquecer os educadores... Daquelas histórias todas encantadoras, que me possibilitavam fazer parte delas... Daquelas rodas de ‘contação’ de histórias, onde éramos levados a criar também. Tudo era permitido; a imaginação não tinha limites. E não é demagogia: Sou grata a todos os educadores e recreadores da época, (muitos nem estão mais entre nós), por contribuírem no despertar do meu lado criativo. Se é mesmo verdade que os anos iniciais são fundamentais no processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança, então posso afirmar categoricamente que fui felizarda em encontrar pelo caminho pessoas tão comprometidas com a educação, o que para aquela época, pode-se dizer que não era algo muito comum em algumas instituições.
Comparo a educação que meu filho vem tendo hoje, com a mesma idade que eu tinha naquela época. Só queria que à ele e a outras crianças da mesma idade, fosse incentivado um pouco mais o lado criativo, que elas pudessem dar mais asas à imaginação. Não vejo um retrocesso, mas talvez, uma certa estagnação na mesmice.
Concluído então o ensino infantil, veio o ingresso no que chamávamos de primário, que se deu no ano de 1989, hoje o atual Ensino Básico (1ª a 4ª série).
Não me recordo se este processo de transição foi traumático, mas me recordo perfeitamente da primeira professora do primário. Era tão meiga e paciente, que me parecia impossível tirá-la do sério. No ensino infantil aprendi a desenvolver o lado lúdico; no primário dei os primeiros passos no mundo da escrita e me vi fascinada com a oportunidade de poder colocar no papel as idéias que tinha na mente.
Neste período também pude contar com pessoas excelentes _
Professoras, mulheres, mães – que me fizeram admirá-las profundamente e querer o oficio delas para mim. O primeiro sonho de toda menina é ser professora, e como tal não fugi a regra. Sonhava com o dia em que teria meus próprios alunos!
O encanto se desfez, quando na quarta série me deparei com uma professora, com métodos um tanto quanto duvidosos e questionáveis, (e, diga-se de passagem: com o total aval da escola). A referida professora tinha o triste hábito de colocar alunos mal comportados de castigo no canto da sala com a carteira na cabeça, ou no pátio da escola, em pé, sob sol forte... (não sei se estes métodos humilhantes surtiram efeitos positivos na vida de algum colega da época, mas com certeza ela se tornou inesquecível na vida de muita gente, não pelo seu lado mais encantador, é claro).
Na época, me parecia comum que certas professoras utilizassem de tais métodos para “educar”. Muitos pais não se pronunciavam a respeito por acharem que fazia parte do processo, ou talvez por simplesmente desconhecerem tais “metodologias” absurdas. Quem não queria “aprender” através do método peculiar da professora _ (e ela não era a única), tinha que esforçar-se para não ser o pior da turma. Muita falta fizeram as teorias de Paulo Freire, Jean Piaget, Vigotski e outros pensadores – educadores na vida das distintas professoras. Felizmente, muito presente na formação dos professores da era contemporânea.
Mas esses foram apenas os passos iniciais rumo a uma longa jornada. E até então não imaginava quão cansativa seria, mas extremamente necessária e hoje, tão recompensadora.
Sob uma nova perspectiva, mas com uma visão critica ainda por ser desenvolvida, ingressei no antigo ginásio, o que é hoje o Ensino Fundamental. Era o ano de 1994, o que considero o mais significativo para a construção da minha personalidade. 94 foi um ano de muitas mudanças. E não me refiro apenas a mudança de ambiente, de turma, de desenvolvimento físico, mas de crescimento interno principalmente.
Tudo ia bem, as amizades firmadas, a confiança nos professores... Até que no meio do ano de 1996, uma greve sem precedentes se abateu sob as escolas da rede municipal, e meus pais não tiveram outra opção se não a de me transferir para uma outra escola, da rede estadual, distante da minha casa, o que se configurou em um grande transtorno na minha vida. Chegar a uma escola nova, em um ambiente desconhecido, fazer parte de uma turma que não era a minha, e ainda por cima no meio do ano! Qualquer adolescente de 14 anos se sentiria desorientado. Foi ai que desenvolvi a síndrome do patinho feio, (felizmente ela só dura até serem firmadas grandes e eternas amizades!).
Até então, havia sempre estudado em escolas no mesmo bairro em que residia; escolas próximas a minha casa. Nunca havia saído da minha “zona de conforto”. Mas para minha surpresa, o que antes se configurava em um grande transtorno, aqueles vieram a ser os melhores anos da minha vida. Só mais tarde eu entenderia. A adaptação ao novo ambiente veio naturalmente. Senti um gosto maior de liberdade. E as experiências advindas desse novo processo, só vieram a me acrescentar, como estudante e como ser humano em processo de evolução.
As pessoas eram diferentes, o ambiente, as idéias, era tudo novo. Foi ai que passei a me identificar como indivíduo integrante de um grupo, onde opiniões divergiam, mas que isso era necessário para a construção do pensamento critico e do ‘eu’ interior. E me vi então crescer em dois anos, o que não havia crescido nos anos anteriores.
As notas com certeza não eram as melhores da turma em determinadas disciplinas, (tive muitas aulas particulares de matemática ao longo da vida) mas jamais nenhum professor pode ter me culpado por não ter tentado.
Aqueles dois anos que mudaram minha vida culminaram com uma grande festa de formatura, que nós mesmos organizamos e tratamos de aproveitar. Foi ai também que pela primeira vez experimentei as peripécias do álcool e beijei aquele carinha que me paquerava insistentemente... Mas... Essa é uma outra história, e não cabe nesse contexto.
As lembranças que tenho dessa época jamais serão esquecidas. Sabe aquela professora, pequena na estatura, mas enorme em generosidade, que te ensina que interpretar textos é muito mais que só copiar conceitos prontos... É buscar dentro de você as respostas... É se fazer parte do contexto... (sempre quis ser como ela). Sabe aquela outra, de fala mansa, que faz você amar o que está fazendo e ainda assim querer aprender sempre mais, (ainda existe um pouco dela em mim). E aquele professor que te faz odiar a matemática ou a geografia... (tive sérios problemas com um professor de geografia), mas esses me fizeram compreender que nem tudo pode ser como nós queremos, mas que para todos os problemas existe solução, e que elas nunca devem ser procuradas muito longe, porque a resposta sempre está dentro de nós.
Passado algum tempo, a trilha chega ao meio e me leva para um mundo novo. 1998 é o ano e o Ensino Médio, já com a atual nomenclatura é o destino. Quantas possibilidades! Tudo acontecendo ao mesmo tempo. A vida, o mundo, as tecnologias _ tudo em transformação continua e acelerada. Globalização era a bola da vez. Compreender o que se passava no mundo era fundamental.
A escola onde estudei, conceituada e respeitada pela sociedade, por ser a única de ensino médio no município, me abriu as portas para o mundo tecnológico e a curiosidade pela informática foi explorada. Já tinha autonomia, e exigia de mim, tanto quanto exigia de meus professores. Já não éramos mais adolescentes em busca de auto-afirmação, éramos adultos em processo de formação. As opiniões próprias nos levavam a onde queríamos e ninguém mais poderia nos ensinar como pensar, pois já éramos agentes de um processo de transformação. Tudo era questão de acordo, assimilação e reflexão.
Meu maior progresso se deu nesta fase. Não posso negar que me destacava tanto no falar, como no escrever, mas tudo isso era uma espécie de fórmula que encontrei para maquiar certa timidez, por esse motivo me empenhei a desenvolver tais habilidades. Porém, nunca fui egoísta, sempre gostei de ajudar meus amigos, principalmente os que tinham problemas com a gramática durante o processo de construção de alguns trabalhos. Isso me engrandecia, pois enquanto ensinava, consequentemente aprendia.
A relação educacional não se resumia mais ao dueto professor/aluno. Tudo era uma constante troca. Alguns laços de amizade que se formaram nesse período são indissolúveis. Existem pessoas que ficam para sempre, mesmo que fisicamente não estejam mais presentes.
Eu me preparava para continuar o legado de minha mãe. Professora a mais de vinte anos. O Magistério parecia ser minha sina. Também sempre fizeram questão de me alertar que esse era o único mercado disponível em nosso município, e essa realidade parece nunca ter mudado.
Com as Didáticas Aplicadas, os planos de Aula e os Estágios Supervisionados, acreditei realmente que aquele poderia ser o meu dom.
Três anos se passaram e veio a formatura. Não fui oradora, mas me lembro de ter sido responsável pela mensagem de agradecimento aos entes queridos.
Tudo parece ter acabado muito rápido, amizades, amores, ilusões, decepções, passeios, idas à praia com toda a turma... O processo de aprendizagem não se dava somente dentro da sala de aula; nossa interação era responsável pelo prazer de nos encontrarmos todas as manhãs de todos os dias, durante três anos.
O tempo foi passando e o mercado era muito limitado. Ensino Médio somente não era requisito para contratações. Até que quatro anos após a formatura veio a proposta do primeiro emprego.
Deparei-me com a oportunidade de poder atuar como educadora em um programa socioeducacional, chamado AABB Comunidade, que atendia crianças carentes do município, e com problemas na aprendizagem escolar.
Ao entrar em sala de aula pela primeira vez como docente, e por lá permanecer por apenas dois anos e meio, percebi a falta que fazem esses grandes mestres que passaram pela minha vida e como a falta de comprometimento podem afetar uma vida inteira. Comprometimento da família, dos professores, e principalmente de si mesmos. Comprometimento com o futuro. Não falo de falta de oportunidade, pois nem se quer possuímos escolas particulares, o ensino aqui é público para todos, pobres ou ricos. Ninguém nos força a crescer. Esse processo vem de dentro para fora, precisamos às vezes apenas de uma orientação. Felizmente tive uma família que sempre fez de tudo pela minha educação. Filha de professora e de policial, eles sempre quiseram me dar o que não puderam ter. Infelizmente nem todos os pais pensam assim.
A convivência com essas crianças me tornou mais humana, mais solidária. Só então percebi que não sabia nada. Elas me ensinaram que eu precisava aprender à ensinar, pois cada uma delas tinha certa defasagem que necessitava de tempo e atenção. A minha musica precisava tocar no ritmo delas e não o contrario.
Durante o período em que lecionei, talvez muito pouco tenha ensinado de verdade, o maior legado que trago comigo é o carinho sincero dessas crianças, pelo simples fato de ter-lhes dado um pouco de atenção. E isso não morre jamais.
Apesar de gostar do que fazia a remuneração não era suficiente, e eu precisava alçar novos vôos. Para isto vinha me preparando. Enquanto trabalhava à tarde, a noite fazia um curso preparatório para vestibular (e mais uma vez me deparei com o fantasma da matemática, da física e da química, verdadeiros monstros na minha vida!). Ironicamente tentei Economia, mas apenas por ser o único curso oferecido naquele momento, e é claro: não passei. Mas no mesmo ano fui aprovada em concurso público, para o cargo de Técnico em Gestão Pública que ocupo há mais de dois anos.
Tudo que vivi e aprendi em meus anos como estudante serviram para abrir meus caminhos até aqui.
Ensino fundamental, médio e hoje superior, todos eles, me ensinaram a construir o que sou hoje. E não falo apenas de conhecimentos teóricos ou de atributos intelectuais, mas de persistência, falo de esperança, de dignidade, de força de vontade, de crescimento, de maturação, de respeito ao próximo, de solidariedade... Falo de sentimentos, ‘de gente’, de pessoas que passaram pela minha vida e me marcaram de tal forma, que seus nomes estarão gravados para sempre no livro de minhas memórias.
Desenvolver o raciocínio lógico, a reflexão, podem parecer clichês. Talvez. Mas de tudo que tenho e sou, meu maior orgulho é ser uma cidadã consciente e um ser humano critico. Felizmente sempre tive a honra de contar com alguns grandes mestres que me ajudaram a desenvolver tais características.
Hoje, quem diria! Realizo meu grande sonho de cursar uma faculdade, no mesmo lugar onde dei meus primeiros passos no mundo da aprendizagem. No lugar em que a vinte e poucos anos atrás era o Centro Social Urbano, onde cursei o Ensino Infantil, hoje é o Pólo da UAB, onde tenho a honra de me formar no Curso de Licenciatura em Artes Visuais.

sábado, 8 de maio de 2010

Show do ministro brasileiro de educação nos Estados Unidos: Esculacho educadissímo nos americanos!


Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.

Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:

'De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

'Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

'Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.

'Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

'Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo,deveria pertencer ao mundo inteiro.

'Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

'Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.

Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. 'Só nossa!.

Esta matéria não foi publicada por razões óbvias! hehe

O professor sempre está errado quando...

É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.

Não falta às aulas, é um "Caxias".
Precisa faltar, é "turista"
Conversa com outros professores, está "malhando" os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó dos alunos.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.

Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama à atenção, é um grosso.
Não chama à atenção, não sabe se impor.

A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances dos alunos.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.

Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.

O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, "deu mole".

É, o professor está sempre errado mas,
se você conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!

Identificando arte na minha região: Arte indígena


A região acriana é de uma diversidade cultural riquíssima, porém, poucos sabem realmente que um dos povos que também movimentam o mercado artesanal local são os povos indígenas. Conhecidos por suas lutas pela terra e contra o desmatamento de seu ambiente natural, de onde tiram seu sustento os índios acrianos são protagonistas de muitas feiras de artesanato, onde de maneira bastante particular expõem não apenas o fruto de seu trabalho, mas também o amor pela terra e pela natureza.
Os índios utilizam para confecção de suas bijuterias e artesanato em geral sementes de frutos secos e outros materiais, o que não deixa de ser uma maneira inteligente de aproveitar elementos da natureza que seriam facilmente descartados por qualquer um de nós. Uma forma criativa de nos manter em contato com a própria natureza, já que é dela que provém a matéria prima e a inspiração para tanta criatividade.
Quem nunca usou um adereço confeccionado por sementes e frutos? A técnica é conhecida, o que poucos talvez saibam é que são os índios os artesãos que trabalham na produção de objetos que vão adornar a aparência e a ignorância de pessoas preconceituosas e ironicamente desinformadas.

A percepção do belo na região Norte, relacionado às comunidades indígenas


O belo é tema bastante relativo, principalmente quando o foco é tão polemico quanto à questão indígena. Mesmo em uma sociedade, em que as questões de beleza deveriam ser unânimes, é comum haverem divergências. No entanto, quando falamos em beleza no tocante a cultura indígena alguns aspectos nos saltam aos olhos e são um capitulo a parte na região Norte e na região amazônica como um todo.
Na região Norte é muito comum vermos a produção de objetos de decoração e utensílios tipicamente indígenas serem comercializados nos grandes centros urbanos. A princípio tudo o que era belo para os índios só possuía este status para eles porque era bom e útil. Para os indígenas ‘belo’ e ‘útil’ tem o mesmo significado. Porém, a partir do momento em que a sociedade passou a ver beleza, além de utilidade para os objetos de fabricação indígena, estes passaram a consumi-los em grande escala, logo os indígenas perceberam que aquilo que era produzido por eles tinha um outro significado para outras sociedades, que não era exatamente condizente com os valores étnicos, pois para o homem branco só se tem valor o que pode ser comerciável, mas que bem ou mal era uma forma de manter o sustento, já que a natureza anda tão degradada em virtude da ação do homem.
O homem indígena parece querer de certa forma, freiar ou concertar as atitudes do homem branco em relação à natureza.
Quando pensamos nos rituais indígenas e nos perguntamos qual o significado daquilo, não nos vem à mente que os índios estão pedindo desculpas por nós, por nossas ações pedratórias em relação à natureza e por usarmos indiscriminadamente seus recursos sem a consciência de que outras pessoas também sobrevivem dela.
Neste contexto, os indígenas fazem uso de toda sabedoria e ritos que conhecem para pedir ao deus Sol e mãe Lua, que não os castiguem pela ação dos outros. Que a colheita seja farta e que a terra seja fértil. Na maioria das vezes, a metade do que conseguem colher é ofertado aos seus deuses como agradecimento pela fartura. Muito diferente de nós, que com todo nosso consumismo excessivo não temos a quem agradecer, ou esquecemos de agradecer a quem nos proporciona a nossa fartura.
Esta relação harmoniosa com a natureza é o que garante a beleza admirada por quem está de fora. Tirar da natureza o que se precisa, sem degradar ou destruir, isto sim é que é sustentabilidade.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Conceituando arte...

A introdução do livro ‘A História da Arte’, de Ernest Gombrich é bastante contundente ao afirmar que de fato nada existe a que se possa dar o nome Arte, pois esta é de difícil definição e pode ter inúmeras interpretações. Na verdade muito se discute a cerca deste tema, e o que vem a ser Arte para alguns, para outros não passa de uma obra bela, mas não necessariamente Arte.
Na realidade a arte é cercada de tanta complexidade, que é impossível definir o que faz um indivíduo gostar ou não de uma obra de arte.
Muitos gostam porque percebem algo de familiar na imagem, outros porque são acometidos por lembranças. Algumas formas de arte possuem o poder de mexer com o inconsciente, de trazer memórias, aromas, sentimentos e sensações desconhecidas.
Existem algumas obras que por algum motivo causam desconforto e estranhamento a quem as contempla. Geralmente não lidamos bem com o que não compreendemos. Segundo Gombrich essa seria uma das razões erradas para não se gostar de uma obra de arte. Algumas pessoas acreditam que somente cópias fiéis da realidade é que são consideradas belas obras. Porém, o belo no tocante a arte é bastante relativo e subjetivo. Às vezes a realidade é tão imperfeita que as pessoas buscam nas imagens e nas obras de arte o glamour e a sofisticação que não encontram em suas próprias vidas.
Por outro lado, quando nos permitimos observar e analisar uma determinada obra, ainda que a princípio isto nos pareça repulsivo, desarmados de preconceito e com o espírito aberto, podemos perceber toda a sinceridade nas intenções do artista, e isto é bom, porque ao maquiarmos a realidade com uma suposta beleza, só porque isto agrada aos olhos, perdemos o ato reflexivo e a capacidade de aceitar quem realmente somos.
Amiúde, algumas pessoas preferem imagens cômodas, ou seja, que não exijam nenhuma reflexão e nenhum esforço para se chegar a algum lugar.
Precisamos nos desvencilhar desta visão preconceituosa que possuímos ao contemplar obras de arte, pois estamos sempre a buscar “defeitos” e a desqualificar o que foi determinado como arte por alguém. E este é o ponto que Gombrich aborda ao afirmar que algumas pessoas são repelidas por obras que consideram incorretamente desenhadas, sobretudo quando pertencem a um período mais moderno em que o artista “tem a obrigação de não cometer semelhantes desvios”.
O fato é que precisamos exercitar os nossos olhos para as características particulares das obras de arte e por conseguinte, de aumentarmos a nossa sensibilidade para os mais sutis matizes de diferença, o que talvez nos ajude a compreender por que determinados artistas trabalham de uma determinada forma e não de outra.
Parafraseando Gombrich concluí-se que falar com argúcia sobre arte não é difícil, difícil é olhar um quadro com olhos de novidade e aventurar-se numa viagem de descoberta.

Análise da peça Medeia


Medeia é uma peça teatral do gênero Tragédia, escrita por Eurípides, a qual foi apresentada em público pela primeira vez em 431 a.C. e não foi vista com bons olhos pela sociedade grega da época.
A tragédia Medeia é basicamente uma história de amor, entre tantas que existe, mas com um diferencial inigualável que reúne em um mesmo contexto amor e ódio, conquista e humilhação, vingança e tragédia. Elementos que tornam a trama e seus personagens tão intensos e tão humanos.
A personagem que dá título à trama, princesa Medeia, é uma feiticeira cheia de astúcia e sagacidade que usa seus poderes de magia para ajudar seu amado Jasão a atingir os objetivos aos quais era obstinado.
Jasão almejava recuperar o trono de seu pai e que foi tomado por seu tio Pélias. Jasão tinha como missão encontrar o velo de ouro. Arrebatada pelo amor que sentia, Medeia não mediu nenhuma conseqüência e não teve escrúpulo algum ao tomar atitudes com requintes de perversidade e feitiçaria, com o único intuito de ajudar e fugir com seu amor para longe dos olhos de seu pai.
Mas se Medeia pudesse imaginar o destino insólito que a aguardava, talvez tivesse ponderado em abandonar sua pátria e sua família para viver em uma terra estranha ao lado de Jasão.
A história toma outro rumo após anos de vida em comum com Jasão e dois filhos fruto dessa união.
Medeia deu cabo até mesmo da vida do pai de Jasão, usando seus conhecimentos como feiticeira e seu poder de influenciar pessoas. Na verdade ela não o fez com suas próprias mãos, mas foi ardilosa ao fazer o rei morrer pelas mãos de suas próprias filhas.
Após esse fato bizarro, Medeia, Jasão e os filhos foram expulsos da Grécia, indo viver exilados na cidade de Corinto.
Medeia então sofre o maior e mais terrível golpe que poderia viver uma mulher naquela época. Ela foi traída por Jasão, que a abandonou para casar-se com a filha do rei Creonte, que se chamava Glauce. A partir de então, Medeia passa a viver amargurada e reclusa, tamanha a humilhação publica pela qual o marido a fez passar. Isto para as mulheres da época era morrer em vida, pois elas somente tinham algum valor se fossem casadas, ainda que mal casadas.
Desse ponto em diante, Medeia que já não era aceita pela sociedade, por ser uma mulher que não seguia os princípios de sua época e por ser subversiva, passou então a sofrer com o preconceito e com as injurias daquele povo.
Mas embora sofrendo e se lamuriando terrivelmente, Medeia não se fez de rogada, jurou vingança e foi até as ultimas consequências para cumprir o que prometera.
Medeia precisava atingir Jasão de alguma forma, mas apenas a morte não seria suficiente, ela queria que Jasão pagasse pela sua dor. O primeiro golpe foi matar a noiva envenenada as vésperas do casamento. O segundo golpe e mais macabro de todos foi matar os próprios filhos. Nesse ponto, porém, Medeia se confronta com seus próprios sentimentos. Ela vive às voltas com a angustia da vingança e o amor que sentia pelos filhos. Mas ela era decidida e não se importava em sentir dor intensa, desde que seu propósito de vingança fosse cumprido.
Apesar de a trama envolver sentimentos e características tão peculiares ao ser humano, a peça também tem como pano de fundo a situação da mulher na Grécia antiga e o poder que o homem exercia sobre ela. A peça é um questionamento a essa posição de submissão e anulação que sofria a mulher. Um grito de socorro e liberdade aqui representado na insubordinação e altivez de Medeia.
A personagem era marcada por um intenso sofrimento e indignação por ter sido largada por Jasão, mas nesse sofrimento estão embutidos os problemas de um tempo em que predominava a exclusão da mulher. Neste contexto, tão astuciosamente Eurípides cria Medeia. Uma mulher terrivelmente fascinante e a frente do seu tempo.
As mulheres gregas viviam num regime rigoroso de limitações e a personagem Medeia era livre de pudores e se recusava a seguir os mesmos padrões sociais que todos julgavam correto para uma mulher.
O episódio em que Medeia mata os filhos, mostra um momento de crueldade intensa, mas também nos leva a refletir se esse ato impiedoso é mesmo um ato de vingança, de ódio, ou se simplesmente Medeia quer privar os filhos da vergonha de ver sua mãe subjugada, amargurada e derrotada, ou mesmo morta em conseqüência de seus atos.
Medeia por acaso não estaria querendo poupar os filhos de verem a sua desgraça? Ou querendo poupar até mesmo a desgraça dos filhos?
Poderia haver certa nobreza nesse ato final de Medeia, uma tentativa de proteger os filhos de represálias. Ironicamente, quase um ato de amor, muito mais do que por vingança ao marido infiel. Em se tratando de Medeia, suas demonstrações de amor e afeto não poderiam ser mais imprevisíveis e questionáveis.
Em suma, a saga de Medeia representa em sua essência a busca pela liberdade e pela justiça que todos temos dentro de nós. Pelos direitos que todos julgamos possuir, seja por algo ou por alguém. Quem nunca se julgou proprietário de alguém? Quem nunca agiu irracionalmente? Quem nunca jurou vingança? Quem nunca viveu conflituosamente com dois sentimentos opostos?
A lição que devemos tirar dessa historia? A resposta a essa pergunta é relativa e tão conflituosa quanto à saga de Medeia. O que vale mesmo é ouvir a voz do coração, sem nunca perder a racionalidade.
No fundo há uma Medeia dentro de cada um de nós.

Espaço ritualístico


O espaço ritualístico escolhido para a composição deste trabalho foi o cemitério local São João Batista, que no inicío do mês de novembro é o que melhor representa os rituais típicos da sociedade, devido a grande comoção em função da data que se dedica aos mortos, o chamado dia dos finados. A maior parte do ano o cemitério é meio que abandonado, mas quando se aproxima novembro os familiares, a comunidade e até as autoridades locais começam a se manifestar para transformar o espaço num lugar mais bonito e porque não dizer, atrativo, já que a data em si atrai multidões dos municípios vizinhos que vem ao local para visitar seus mortos. O cemitério em questão é simples e fica localizado num bairro nobre da cidade; possui duas entradas e uma escadaria que dá acesso ao portão principal. Em seu interior existem algumas capelas construídas por famílias mais nobres da sociedade para dar abrigo aos seus mortos e reunir a família para missas e orações. Existem também túmulos muito bonitos e conservados, adornados por coroas de flores, algumas naturais, outras não. Este aspecto torna-se bastante curioso, pois se percebe através deste fato que as tradições e os rituais não estão mais sendo cumpridos rigorosamente como acontecia no passado. O velho hábito de ir ao cemitério e levar flores para adornar os túmulos dos entes queridos está sendo substituído em função da praticidade. Hoje em dia percebe-se muitos túmulos e capelas adornadas com flores de plástico e materiais reciclados, o que nos leva a crer que as velhas lendas e tradições não existem mais, talvez em função da vida corrida, ou mesmo em função da descrença de certos costumes. O fato é que os rituais continuam, mas as praticas mudaram, bem como os símbolos representativos desta atividade. No local também há sinal de depredação e abandono. Foi-se o tempo em que cemitério era um local sagrado, que não se podia profanar. O respeito aos mortos deu lugar a banalidade. Nos cemitérios urbanos, dificilmente se vê aquelas decorações efêmeras de riquíssimo valor simbólico com cálices, cruzes e resplendores delineados com flores e preenchidos com pétalas, a não ser que a data seja propicia. Era bonito de se ver no passado as flores que davam um colorido especial ao ambiente, mas que em pouco tempo secavam e amontoavam; as velas que iluminavam o local, na esperança de iluminar também o caminho daqueles que amávamos... Flores, velas, beleza, feiúra... Uma alegoria da própria vida. O símbolo mais freqüente são as cruzes, das mais simples as mais exuberantes. Elas não faltam jamais, pois é uma alusão de que o ente que se foi possa estar mais perto de Deus, vivendo no outro plano em paz e uma forma natural de perpetuar a memória daqueles que não estão mais entre nós. Alguns acreditam que velas, flores, cruzes e outros elementos deste tipo são símbolos da morte, mas para os que lidam todos os dias com a morte, ou com o ambiente em si, estes símbolos representam apenas nossas tentativas rituais de ultrapassar esta realidade incontornável. Em suma, este ritual praticado, por vezes mistificado, é mais uma forma que os indivíduos encontram de lidar com a morte, de superá-la, de contorná-la de alguma forma. Já que não é mais possível estar presente na vida dos que se foram, sua lembrança é substituída pelos símbolos de sua presença. O cemitério é enfim, não apenas o local onde a sociedade deposita seus mortos, mas é também um local para refletir sobre quão efêmera e passageira é a vida, sobre como temos dificuldade para lidar com este momento tão temido e inevitável, talvez, cuidando e zelando pelos nossos mortos, estamos garantindo que façam o mesmo por nós, onde quer que estejam.